07/08/2011

Como desafogar e tornar o trânsito de Fortaleza mais pacífico?

Com mais carros nas ruas e várias obras em andamento, circular em Fortaleza é um desafio diário, exigindo paciência e educação no trânsito de pedestres e motoristas




João Alfredo Telles Melo
Vereador (PSOL) e professor de Direito Ambiental


É preciso vontade política para não se submeter à ditadura do automóvel individual, a partir de um enfoque sistêmico que aposte em outros modais, como o transporte público e a bicicleta. De pouco adianta uma passagem barata, se a qualidade do transporte público é tão ruim, que dificilmente os que têm automóveis migrariam para os ônibus. Conforto e pontualidade são essenciais. O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) - desde que retire carros da rua e não pessoas – pode ser uma solução, mas o BRT (o sistema do transporte rápido de ônibus, adotado em Curitiba) pode ser mais barato e eficaz. Muitos jovens poderiam usar a bicicleta, desde que houvesse mais segurança e infraestrutura (ciclovias, ciclofaixas, bicicletários) para os ciclistas. Por último, uma política de educação para o trânsito que faça compreender que pedestres e ciclistas têm que ser respeitados e protegidos por todos.


Cezário Oliveira
Diretor do Sindicato dos Taxistas


Tratamento diferenciado por parte do Governo Federal, investindo pesado e acelerando as obras do metrô de Fortaleza, não só a linha sul, como também as linhas projetadas, de modo a atender todas as regiões da cidade. Interligar linhas de ônibus ao metrô para evitar os grandes percursos de ônibus em todas as direções da cidade, o que complica ainda mais o trânsito. Em pontos de congestionamentos na Capital, como a avenida Raul Barbosa com avenida Murilo Borges, avenida Dedé Brasil com Expedicionários e avenida José Bastos com Prudente Brasil, deveriam ser colocadas alças e construídos viadutos corrigindo os cortes do projeto original. É preciso também melhorar a malha viária de Fortaleza, aplicando sinalização horizontal eficiente.


Antonio Paulo Cavalcante
Arquiteto e urbanista, prof. do Depto de Engenharia de Transportes da UFC


Os congestionamentos em Fortaleza são reflexo de anos de deficiência no controle urbano, tanto na gestão do uso e ocupação do solo quanto do espaço de circulação. A 'oferta' de espaço para circular (as vias) concentra em 7% das ruas da cidade cerca de 40% dos fluxos diários 'casa-trabalho-casa'. O uso do transporte público pelas classes C e D é totalmente descartado pelas classes A e B, que elevou-se em números absolutos e, com a estabilidade econômica do País, aumentaram o número de veículos da cidade. A abordagem do problema precisa ser sistêmica 'entre' os atores-gestores em um órgão supra-institucional, nos moldes da gestão consorciada, para o controle da frota, separando o tráfego de passagem de ônibus dos carros de passeio; a educação para o trânsito e os ajustes de novas conexões e operação de linhas de transporte público (redefinir rotas, reduzindo custos nos 'entre-picos' e aumentando veículos de alta capacidade nos picos).


Apolônio Aguiar
Diretor da empresa AD2M que lançou a campanha “Eu faço um trânsito leve”


Para além das responsabilidades dos gestores públicos, dos fabricantes de veículos e dos engenheiros especializados, um poder capaz de transformar o trânsito, tão valioso quanto negligenciado, reside na dimensão individual. O trânsito te faz sofrer? Irrita, estressa, atrasa? Dê o troco mudando de atitude, exercitando a paciência, dando um bom exemplo. Antecipe sua saída para não precisar correr, organize caronas, experimente novos caminhos, horários e meios de transporte. Você não pode viver sem o trânsito, então lide com ele de forma suave e contagie quem vive ao seu redor. Pare de culpar o outro e respeite as regras, esteja atento, cometa a grande ousadia de ser gentil e elegante nesta selva de picapes e buzinas. No final, você fica uma pessoa melhor. E o trânsito fica mais leve.


Márlia Paiva
Socióloga e membro do movimento Mobilidade Humana


Penso que, de imediato, só uma nova atitude do condutor já teria grande potencial de impactar na situação de enorme desconforto de nosso trânsito. Aumentar a sensação de presença de órgãos fiscalizadores poderia ser um grande passo que implicaria em mudanças profundas de hábitos. Contudo, para se mudar gestos é necessário mais do que aplicação de sanções. Afinal, precisamos quebrar profundamente a reprodução social, ou seja, a manutenção de certos hábitos. Isto poderia nos tornar menos transgressores, menos interessados em manter distância dos outros habitantes da cidade e, assim, mais apropriados dos espaços públicos, fato que implicaria na redução dos diversos tipos de violência. A reflexão sobre a nossa qualidade de vida que implica em tudo, inclusive na maneira que usamos a cidade e tratamos aqueles que dividem este espaço conosco, deveria tornar-se um exercício diário, antes mesmo que os viadutos sejam erguidos.


José Valteclar Borges Vieira
Presidente do Sindicato dos Mototaxistas de Fortaleza



Para desafogar o trânsito em Fortaleza são necessárias medidas como a construção de transporte sobre trilhos e corredores de ônibus. É preciso também que seja feito um material educativo com o levantamento das ruas paralelas às avenidas mais congestionadas e que estas sejam sinalizadas. Tal material deve ser divulgado para a população. Deve ser feita a mudança da sinalização em localidades como o Bairro de Fátima, acrescentando “Siga à direita”, por exemplo, na avenida Borges de Melo com a rua Deputado Osvaldo Stuart, na avenida Aguanambi com Soriano Albuquerque. O semáforo do viaduto da avenida Treze de Maio deveria ser retirado, e nos sinais de pedestres deveriam ser construídas passarelas.

Via jornal O Povo 

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