Depois de estourar com o “álbum da virada” em 1971, Clara Nunes disparou. Passou a emplacar um sucesso atrás do outro. No ano seguinte, o novo disco Clara, Clarice, Clara levara a cantora ao top 10 das rádios. “O caminho mais certo: aquilo que o povo canta”, destacou a manchete do jornal O Globo de 9 de março de 1972. Entre as músicas estavam “Ilu ayê”, samba que garantiu à Portela o terceiro lugar no carnaval de daquele ano e “Tributo aos Orixás”, marca registrada de Clara.
Diante do sucesso repentino, Clara passou a acreditar que tamanho destaque só poderia ser resultado de uma força espiritual que a protegia e impulsionava para os holofotes do sucesso. Nos centros que freqüentava os búzios só apontavam para Clara como filha de Ogum com Iansã. Boa espiritualista, ela não só acreditava como também seguia os passos orientados por seus orixás.
No mesmo ano, uma confusão de maternidade. Pai Edu de Olinda, que Clara conheceu através de uma amiga numa apresentação em Recife, jogou os búzios para a cantora e deu Oxum na cabeça de Clara. De acordo com o pai-de-santo Iansã estava fora de cogitação. Clara encantou-se tanto com Pai Edu que chegou a se consagrar filha de Oxum em cerimônia na águas do Rio Capibaribe. Um prato cheio para a imprensa.
Se era Iansã ou Oxum, não importa. No mesmo ano Clara foi convidada para fazer parte do show Moça, Poeta e Violão com ninguém menos que Vinícius de Moraes e Toquinho. O trio rendeu tanto que em 1973 Clara entrava novamente para gravar outro LP, desta vez Brasília.
E lá se foi Clara, como uma verdadeira resistência cultural.
Tributo aos Orixás (Mauro Duarte / Noca / Rubem Tavares)
Homenagem à Olinda, Recife e Pai Edu
Tributo aos Orixás (Mauro Duarte / Noca / Rubem Tavares)
Homenagem à Olinda, Recife e Pai Edu
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Bibliografia e Fotos do Livro Clara Nunes -Guerreira da Utopia de Vagner Fernandes (Ediouro, 2007).

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