Em 1971 Clara lançou o álbum que marcou a virada da sua carreira. Após ter flertado com a Jovem Guarda e participado de alguns Festivais de Música da época, Clara Nunes resolveu reinventar seu estilo. Embalada pelos sons dos atabaques dos terreiros de umbanda que freqüentava e as melodias dos bons sambistas da época, Clara promoveu a mudança que seria sua marca registrada.
Produzida por Adelzon Alves, apresentador de programa de rádio com quem teve um romance, Clara mudou as vestimentas, passou a usar patuás e pulseiras, cortou o cabelo e incorporou a nova cantora. Tarefa fácil para ela que sempre teve uma espiritualidade aguçada e aberta para as mais diversas possibilidades.
Além disso, foi através de Adelzon que Clara passou a freqüentar os mais animados quintais de samba do Rio de Janeiro, percorreu todas as quadras de escolas de samba e teve a oportunidade de conhecer grandes nomes como Cartola, Paulo da Portela e Candeia. Aqui também começava seu amor pelo samba e pela Portela.
O álbum da virada, batizado com o próprio nome da cantora, vendeu cerca de 24 mil cópias, de acordo com dados da gravadora divulgados no livro Clara Nunes – Guerreira da Utopia de Vagner Fernandes.
No repertório, o carro-chefe foi “Ê Baiana” (Miguel Pancrácio, Ênio Santos Ribeiro, Baianinho e Fabrício da Silva) que pode ser considerado o primeiro grande sucesso da cantora. Nascia aqui, Clara Mestiça.
Regresso, de Candeia (1971). Álbum Clara Nunes
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| "Clara era um caldeirão espiritual" (Fernandes, p119) |
Bibliografia e Fotos do Livro Clara Nunes -Guerreira da Utopia de Vagner Fernandes (Ediouro, 2007).


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